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Mallorca
Psicobloc no
mediterrâneo
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por Flávia dos Anjos
- RJ |
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Numa viagem à
ilha que é considerada o berço do psicobloc, os brasileiros Flávia dos
Anjos, Felipe Dalorto e Lucas Marques narram a abertura de um novo setor
de escaladas, à convite dos irmãos espanhóis Eneko e Iker Pou.
Após a visita dos irmãos Pou no Brasil, em
fevereiro de 2011 para o Red Bull psicobloc, os mesmos tiveram conosco
mais uma vez em setembro no Rio de Janeiro, quando nos fizeram um grande
convite, conhecer e conquistar um grande setor de psicobloc na meca da
modalidade: Mallorca na Espanha, onde nasceu o psicobloc. No mês de
outubro partimos para esse grande convite, onde aproveitamos para
conhecer também outro estilo de escalada que fica em Peak District,
região no interior da Inglaterra onde conheceríamos de perto a rocha
chamada Grit e o estilo de escalada onde grampos simplesmente não
existem, o Hard Grit.
Mallorca
Saímos do Rio dia 30 de setembro, as 19h00 chegando ao Aeroporto de
Palma as 13h00 de sábado, dia 1 de outubro, Eneko Pou e sua namorada
Dalila nos esperavam de carro para irmos até a casa que alugamos juntos
onde ficaríamos nós quatro e também Natxo, amigo de Eneko. Infelizmente
Iker Pou não pode estar conosco, devido ao fato de estar trabalhando em
sua próxima expedição pela Turquia.
Do aeroporto, sem passar em casa ou descansar, Eneko nos levou direto
para um novo setor que não consta nos guias. E foi desta maneira que ele
confirmou o que já havia mencionado enquanto estivera no Rio: Eneko
estava naquele momento nos mostrando o setor aonde nós iríamos juntos
conquistar novas vias de psicobloc. Nunca recebemos honra maior, abrir
vias em nada menos que Mallorca e ao lado de um escalador de renome que
é Eneko Pou.
Infelizmente, o mar estava muito agitado e nós muito cansados da viagem.
Neste dia não rolou conquista somente os objetivos foram traçados. Nem
por isso fomos para casa, insistimos e tivemos nosso primeiro contato
com a escalada de Mallorca em uma calma praia ali perto.
No dia seguinte, ligamos para o Lucas Marques (Jah) que já estava em
Mallorca nos aguardando para escalarmos juntos e ao longo dos dias
seguintes. Eneko nos apresentou vários setores. De Calles de Mallorca,
onde estávamos hopedados podíamos dirigir para o norte e conhecer Calla
Barques e Porto Cristo ou para o sul onde estão Cala Sa Nau, Cala
Mitjana, Cala Serena e Porto Colom entre várias outras. Tudo muito
perto. Em alguns desses setores escalamos muito bem em outros apenas
visitamos, pois era dia de descanso ou porque, por azar, o mar não
permitiu.
O primeiro de todos os setores que conhecemos foi Cala Barques. Clássico
sem dúvida, o local estava repleto de escaladores, mas ao mesmo tempo
não estava “lotado”. Todos trabalhando harmonicamente seus projetos com
a vibração e apoio alheio no melhor clima de união. E entre os
escaladores, Chris Sharma. Temos que admitir que vê-lo escalando era de
encher os olhos. Ícone da escalada esportiva atual, Chris Sharma quebrou
barreiras e ali, de férias, estava apenas se divertindo. Tivemos a
oportunidade também de escalar e trocar algumas palavras com ele que se
mostrou incrivelmente humilde e simpático. Neste setor curtimos a via
Hercules, linda linha que cruza a aresta e o teto de um belo arco. E
também a via Snatch, difícil e extremamente bonita cruzando a outra
aresta do mesmo arco, entre muitas outras que experimentamos no setor.
Conhecemos também a Cueva Del Diablo onde nosso grande amigo Lucas
Marques estava tentando o famoso projeto Loskot and Two Smoking Barrels.
Este setor é sem dúvida o mais difícil da ilha, quase todas as vias ali
estão na casa, ou acima do 9º grau brasileiro. O próprio destrepe de
aproximação já é um VIsup/VIIa. Muitos escaladores fortes estavam
presentes e foi onde também tivemos a honra de conhecer o autor do guia
Daimon Beail e a editora do site PsicoblocWorld.com Emma Harrinton.
Neste dia Jah se dedicou intensamente ao projeto do bote que só saiu
alguns dias depois, mas não ficou somente nessa via levando também a
cadena de Ejector Seat 9b. Vengaaaa Jameicaaaa!!!
Após alguns dias nos points clássicos, voltamos ao setor novo,
juntamente com Eneko Pou, para o objetivo maior da viagem: as
conquistas. O setor que fica entre Cala Serena e Cala Ferrera possui uma
gruta fantástica de onde saem as vias e onde é possível se abrigar para
descanso. A gruta já possuía algumas linha de Eneko, Iker , Miquel
Rieira e Dalila e recebeu mais 6, quatro do Felipe e duas minha.

E este foi o setor onde mais escalamos e voltamos. Ao todo, voltamos ali
em cinco dias diferentes. Voltamos, até mesmo no último dia, no último
minuto para que Felipe tentasse realizar seu projeto. O projeto,
infelizmente não saiu, mas quem sabe não é melhor assim agora é certo
que voltaremos nesse paraíso mais rápido que nunca. Gostamos bastante do
lugar, suas características de hora do sol, condição de aproximação e
descanso, além da beleza e estilo das vias farão dali, certamente, um
futuro clássico point de Mallorca. Estamos felizes de ter tido a
oportunidade de abrir vias neste setor e agradecemos a Eneko Pou, mais
uma vez, pelo convite.
Nas duas semanas em que estivemos na ilha pudemos comprovar os motivos
que fazem de Mallorca a Meca do Psicobloc mundial. A Ilha toda é cercada
de penhascos e falésias de pedras com as características perfeitas para
a prática. Muitos negativos e arcos com quedas limpas na água. Mas
escalar ali não é tão simples, em quase todos os setores para você
começar a escalar o lugar exige que se faça uma desescalada de sexto
grau de 15 a 20 metros até chegar na base da via desejada. Esta mesma
linha de sexto grau deve ser escalada para ir embora. A logística de
resgate caso aconteça algum acidente é bem complicada, pois é necessário
helicoptero para tirar o escalador da água. E não podemos negar que a
altura e o mar afetam o psicológico e mesmo não parecendo a mente
termina cansada no fim do dia. Detalhes que só dão mais valor ao estilo
e ao lugar. Durante anos muitos escaladores conheceram em Mallorca um
dos estilos mais puros de escalada. Em um de nossos passeios a Palma e
recebemos outro convite, assistir uma palestra de Miquel Riera, o “Pai”
do psicobloc, e logo após a palestra fomos jantar com o mesmo onde
tivemos a oportunidade de conversar bastante e conhecer melhor a
história do primeiro a registrar, em 78, oficialmente uma via no estilo
Deep Water Soloing ou Psicobloc. Esta via fica em Porto Pi ou Dic Del
´Oest, na cidade de Palma. A via chama-se Cuquets e a escalamos bem no
dia do aniversário do Felipe, que presentão! Neste mesmo dia conhecemos
Santa Ponça, outro setor próximo da capital. Este, porém é recém
descoberto por Iker e Eneko Pou. Com menos de três meses conquistado já
é altamente frequentado pelos moradores da ilha.
Com tantos psicoblocs e dias de mar e praia poderíamos dizer que acabou,
mas não, Mallorca é muito mais que isso. A ilha também possui montanhas
e muita escalada esportiva e não podemos deixar de citar o pouco que
conhecemos.
Juntamente com Eneko Pou, Dalila e Natxo nos encontramos também com
Churri uma argentina que vive em Palma e nós seis seguimos para Gorg
Blau para um pouco de esportivas. A rocha de calcário formando grandes
paredes de até 40 metros eram de encher os olhos. A rocha alaranjada e a
parede negativa não são nada como a paisagem do Rio de Janeiro. Vias de
extrema explosão e resistência de antebraço. Das vias que fizemos
destacamos Aixo es L´Habana, negativa com grandes agarras e buracos, a
Sa Primera, a mais bela de todas com duas enormes churreiras para se
catar de pinça indo do inicio ao fim da mesma e a via Estreny El Dits,
com belos regletes em calcário e movimentos técnicos.
Somente com estas escaladas já estávamos bastante impressionados com a
variedade encontrada na ilha, mas para completar ainda teve mais. Na
quarta do dia 12 de outubro, feriado nacional na Espanha, Eneko e Dalila
decidiram ir a El Paredon, maior montanha da ilha onde existem vias de
até 300 metros, fomos também. Quando chegamos ao local nos deparamos com
uma linda parede vertical com trechos negativos. A rocha é cinza e
branca, de agarras grandes e lisas, típicas de calcário. Uma das
montanhas mais lindas que escalamos. Enquanto que Eneko e Dalila
entraram na via Common nós nos direcionamos a Directa del Pilar, sem
croquis, porém ficou difícil encontrar a base. Sabendo que dali, saiam
várias vias de alto grau de dificuldade e exposição, decidimos que não
valia a pena correr o risco de entrar na via errada. Com 1 hora de
atraso entramos também sem croqui e à vista na Common seguindo o rastro
de Eneko e Dalila. A via é linda, a primeira enfiada já mostra a cara da
via, um 5 sup de agarra grandes e levemente negativa já nos faz chegar
com os antebraços gritando na parada. Eu guiei esta e Felipe a segunda,
que também seguia pelo mesmo estilo. Continuamos alternando até a quarta
enfiada onde a graduação começa a se elevar, lances técnicos alternados
com explosivos de sexto sup. Nesse momento estávamos pouco mais da
metade da via, mas o sol já se punha. A parede era de face sul recebendo
sol o dia todo e, portanto começamos tarde. Isto somado com a hora que
perdemos para entrar na via tornou inevitável o desfecho, não terminamos
e optamos por descer junto com os últimos raios de sol, já as 19h50 da
noite.
Agradecemos a todos que nos deram força para esta incrível viagem.
Ao Edemilson Padilha e a empresa Conquista Montanhismo pelos
equipamentos fornecidos.
Aos irmãos Pou e em especial a Eneko Pou por ter estado conosco em
Mallorca e pelo convite para conquista de psicobloc.
Aos amigos que fizemos na Espanha; Dalila, Natxo e Churri e ao nosso
grande hermano Lucas “Jah” Marques pela força e companheirismo nesta
viagem.
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+ Cheque sua parada;
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duvidoso, certifique-se;
+ Rocha quebra, teste as
agarras;
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