|
Internacional
Lisete Florenzano, SP

Big walls em livre na África do
Sul
Os escaladores Max Dünßer, Reinhard Hones e Martin “Wusel” Schindele
abriram uma nova via, com nove enfiadas de 7b+ (8C) no impressionante
Yellowwood Amphiteatre, na África do Sul. O arenito bastante sólido da
parede apresentou muitos lugares para colocação de proteção móvel, sendo
necessária a colocação de poucas chapeletas. Mas, em todas as paradas,
há pelo menos uma proteção fixa. A via, de 350 m foi batizada de Your
Mother´s Face.
Depois de uma pequena pausa em Rocklands, Schindele voltou a Yellowwood
com Daniel Gebel e completou outra nova rota. A via de três enfiadas,
Episode I - Fight Against the Dark Side of Gravity, 7c (9a) é do lado
direito do anfiteatro e segue pela metade superior da parede. Os
escaladores planejam retornar para abrir Episode II, que irá começar do
chão, ligando as duas vias.

Novos
prodígios
No começo do novembro, o francês Enzo Oddo (foto acima), de 14 anos,
encadenou La Proue Débridée (8c+ ou 11b) escalada pela primeira vez por
Tony Lamiche. Depois, o garoto seguiu para Fountainebleau, onde escalou
os boulders De Vita Beata e Pagot, 8a (V9) e Katharsis (V13) –
provavelmente a primeira repetição deste problema.
E, para encerrar as férias, fez a segunda ascensão de Inga, 9a (11c),
escalada pela primeira vez por Daï Koyamada em 2002. A via começa com
vinte movimentos de travessia (sit start) de 8a+\8b (10b) até juntar-se
à via 7pm Chaud, de dificuldade 8b (10c). Nada mal para as férias...
A francesa Charlotte Durif, de 19 anos, teve também uma fase
extraordinária. Dois first ascents de 5.14c (11b) e uma cadena à vista
de uma via de 5.14a (10c). Em Combe La Vielle, trabalhou e mandou a via
The Wall (11b) e duas semanas depois completou os 50m de negativo da via
Pull Over, em Grotte de Galetas.
Alguns dias depois, no Verdon Gorge, Charlotte fez à vista, numa “mega
enfiada” de 100 m, as quatro enfiadas de Ultime Démence (10b, 9c, 10b,
9b). E, no dia seguinte, uniu as duas enfiadas de Ramirole: 10b e 9c.

Tomaz Humar morre no Langtang
Lirung
O escalador esloveno, já bastante debilitado, chamou por resgate durante
a escalada em solo do Langtang Lirung (7.234 m), pico mais alto da
região do Langtang, no Nepal. De acordo com a agência que lhe dava
suporte, ele iniciou a subida no dia 5 de novembro, e no dia 9 chamou
pelo resgate.
As informações iniciais eram de que ele estava parado a uma altitude de
6.300 m. Uma equipe de sherpas subiu, tentando chegar ao local indicado
mas não foram capazes de localizá-lo. Enquanto isso, um grupo de
helicópteros suíços especializados em resgate voou para Kathmandu e para
o campo base. As condições climáticas ruins e possibilidade de
avalanches seguraram as equipes de resgate nos dias 12 e 13. Na manhã do
dia 14 um piloto suíço conseguiu sobrevoar o local e avistar Humar, a
5.600 m, muito mais abaixo do que o esperado. Usando uma corda, a equipe
baixou o escalador Simon Anthamatten, que havia acabado de retornar à
Suíça depois de uma escalada também no Nepal (Jasemba – 7.350 m). Simon
conseguiu chegar até o corpo de Humar e trazê-lo ao helicóptero.
Humar, tinha 40 anos e teve uma vida extraordinária e com grandes
realizações nas montanhas. Ele começou as escaladas no Himalaya em 1994,
abrindo uma variante à face sudeste do Ganesh V (6.989 m) com uma equipe
eslovena. Em 95 escalou o Annapurna, e no ano seguinte conseguiu os dois
maiores sucessos: uma nova rota no Ama Dablam, com Vanja Furlan, e a
primeira ascensão em solo do Bobaye (6.808 m), pela difícil face noroste.
Em 97, Humar e Janez Jeglic escalaram os 7.742 m do cume noroeste do
Nuptse por uma nova rota, mas Jeglic foi jogado do cume pelas rajadas de
vento, e Humar foi forçado a descer sozinho. Dois anos depois, Humar fez
em solo uma nova rota na enorme face sul do Dhaulagiri com cerca de
7.300 m, atravessou para a aresta sudeste, e então voltou à face sul,
continuando acima dos 8.000 m, onde ele atravessou para a rota normal
(aresta nordeste) mas sem seguir ao cume (8.167 m). Exausto por ficar
mais de uma semana numa escalada solo e em altitudes elevadas, Humar
desceu ao campo I a 5.700 m na aresta nordeste, onde encontrou com
escaladores de outra expedição e esperou por um helicóptero, que chegou
no dia seguinte.
Em 2005, foi ao Paquistão tentar em solo a Face Rupal direta, dos 8.125
m do Nanga Parbat. Depois de escalar acima dos 6.000 m, foi pego pelo
mal tempo e ficou alguns dias esperando nesse local pelo helicóptero de
resgate. Pilotos do exército paquistanês conseguiram voar até essa
altitude, no limite da capacidade do helicóptero devido ao ar rarefeito,
e jogaram uma corda para ele, que conseguiu se clipar e sair da parede.
Sem dúvida, uma vida inspiradora pra todos nós.
Primeira ascensão de Der
Lange Atem
O escalador austríaco Arthur Kubista (45 anos) é conhecido em vários
países, por suas ascensões e vias de grande dificuldade. Algumas de suas
propostas ainda não foram repetidas, possivelmente porque Arthur não se
preocupa tanto com a divulgação de suas escaladas, o que não quer dizer
que não goste que outros escaladores entrem em suas vias.
Sua nova via, Der Lange Atem, em Schattenreich, Höllental (Austria) foi
encadenada por ele mesmo, com o grau proposto de 9a+ (12a). A via, de 28
m, pode ser dividida em duas partes devido a um descanso. A primeira
parte, de 13 m, é bastante explosiva, muito atlética, passa por dois
tetos e deve ser um 11a/b. A segunda parte, de 15 m, segue por uma
parede negativa com movimentos muito duros em agarras pequenas.

Lino Lacedelli
No dia 20 de novembro, faleceu Lino Lacedelli, 84 anos, companheiro de
Achille Compagnoni e Walter Bonatti, na primeira ascensão do K2 (8.611
m). Os escaladores chegaram ao cume da segunda maior montanha do mundo
em julho de 54.
Lacedelli teve sua melhor atividade nas montanhas na década anterior ao
K2, com notáveis expedições às vias mais difíceis da época nos Alpes,
principalmente as Dolomitas.
Leia mais matérias
na edição impressa.
|