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Encontro de Montanhistas Veteranos no RJ


No dia 27 de outubro, na sede do Centro Excursionista Brasileiro (CEB), foi realizado mais um Encontro de Montanhistas Veteranos. Esta foi a sexta edição do evento, que começou no ano de 2004, em uma Abertura de Temporada de Montanhismo, na Urca, por iniciativa do site Montanhas do Rio (www.montanhasdorio.com.br). Na mensagem de divulgação do Encontro, este é apresentado como “uma tradicional confraternização de montanhistas, e tem por objetivo promover a reunião e homenagear aqueles que tanto admiramos”. Entre tantos ilustres veteranos, estiveram presentes montanhistas vindos de Brasília e do Ceará. No total, participaram do evento mais de 50 veteranos e, aproximadamente, 120 montanhistas de várias gerações.
“Esta iniciativa tem a colaboração de inúmeras pessoas e de todos vocês, de fazer uma homenagem, de reunir gerações de todos os clubes de montanha”, falou Claudio Aranha na abertura do evento. Foi apresentada a programação e feito um agradecimento a todos os presentes. “É uma satisfação muito grande contar com todos vocês aqui. Temos a presença do Bernardo, presidente da Federação de Montanhismo do Estado do Rio de Janeiro, que é um guardião e lutador incansável do montanhismo tradicional e do montanhismo organizado”, destacou Claudio Aranha.
“Esse evento é simplesmente sensacional. Parabéns ao Claudio e à Marcia Aranha pelo empenho todos os anos para que o evento ocorra. Não tem preço conversar com essa galera que escreveu uma história tão bonita e rica do nosso montanhismo e ver o amor deles pelas montanhas”, enaltece Bernardo Collares.
Sobral Pinto, montanhista e fotógrafo, montou uma exposição de fotos com o tema “Escaladas nos anos 50”. Sobral também agraciou alguns montanhistas com fotos suas da Agulha do Diabo (conisiderada uma das mais espetaculares escaladas do mundo, segundo o site http://www.hottnez.com/the-15-most-spectacular-rock-climbs/). Na entrega de uma foto ao Tião (José Sebastião Lopes da Silva), um momento de muita emoção. Com a voz embargada, Tião contou que não tinha dinheiro para fazer uma excursão ao Caparaó, na década de 50. Então, Sobral Pinto disse que emprestava a quantia. Passados mais de 50 anos, Tião agradeceu em público o gesto do amigo e emocionou todos os presentes.
A seguir, André Ilha palestrou sobre o “Montanhismo de hoje”, porém traçando um paralelo com a escalada de algumas décadas atrás. Além de contar sobre os materiais usados na época, o que fez muitos veteranos sorrirem com a lembrança, André falou também da dificuldade de comprar estes materiais: “Ter alguns mosquetões era ter um verdadeiro tesouro. Você não tinha onde comprar aqui e enchia o saco dos parentes e amigos que viajavam para o exterior para trazerem um corda”, relembrou.
Um ponto muito importante levantado durante a palestra foi a questão do acesso às montanhas. “Uma outra característica dessa época era a ampla liberdade de ir e vir nos ambientes de montanha. Como éramos poucos, os problemas de acessar as áreas de caminhada ou escalada também eram, consequentemente, muito poucos”, contou André. A partir da década de 80, com o advento do profissionalismo, houve um aumento explosivo de praticantes do esporte. Áreas públicas e privadas passaram a sofrer restrições de acesso por conta desta demanda. “Com a criação da FEMERJ, congregando todos os clubes e mais uma muito bem-vinda Associação Profissional de Guias e Instrutores de Escalada, a AGUIPERJ, que é a única no país, iniciou-se um processo muito árduo, superdifícil, trabalhoso e que exige um quatrilhão de reuniões, elaboração de documentos, ofícios, apresentações, mas virando o jogo e reabrindo espaços que haviam sido perdidos para a prática do montanhismo amador”, explicou André. Também foi abordada a diversificação de estilos hoje existentes na escalada, como o big wall, esportiva, tradicional, com materiais móveis e o bouldering. Outra mudança na nossa atividade, a partir dos anos 80, foi o surgimento de competições. Desde então houve um consenso de que estas só seriam realizadas em estruturas artificiais para não causar impacto à rocha natural. “Crescemos muito e passamos por muitas turbulências, mas eu acho que hoje, com essa união dos clubes e da AGUIPERJ em torno da FEMERJ, e das Federações em torno da Confederação Brasileira de Montahismo e Escalada, estamos conseguindo reabrir o espaço e preservar o estilo do montanhismo tradicional, do montanhismo amador, que é esse que é praticado nos clubes”, finalizou André Ilha.
A esperada apresentação de fotos da “História do Montanhismo”, apresentada por Waldecy Mathias Lucena, fez neste ano uma homenagem a Raimundo Luiz Minchetti, guia do CEB, falecido em abril de 2008. “Minchetti tem as fotos mais impressionantes que já vi e, por isso, decidi dividir algumas com a comunidade de montanha. Nada melhor do que o Encontro de Veteranos para isso.”, conta Waldecy.
A surpresa do evento foi o quadro “Velhinhos Ativos”, montado por Márcia Aranha, a partir de uma sugestão do Roberto Schmidt, que fez a apresentação das fotos de montanhistas com mais de 60 anos, que continuam subindo as montanhas com muita animação e entusiasmo. “Pena que não pude me estender mais nos agradecimentos aos jovens que se dispuseram a acompanhar os ‘Velhinhos Ativos’ nas suas tentativas de superação física e psicológica que certas vias e trilhas exigem. É no treinamento sistemático feito, muitas vezes anonimamente, por jovens que se dispõem a ajudar um veterano a retornar a uma via aparentemente fora das suas possibilidades, é que está toda a grandeza do montanhismo”, enfatizou Schmidt.
Os certificados de Montanhistas Veteranos foram entregues por Bernardo Collares, Pedro Bugim, Waldecy Lucena e Jean Pierre Von der Weid.
“Em cada encontro, recordamos e aprendemos sobre a história do montanhismo, integrando várias gerações e reforçando a amizade que sempre foi, e sempre será, o elo forte entre as pessoas que se harmonizam com a natureza”, dizia também o texto de divulgação do evento.
 

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