Espírito Santo
Oswaldo Cruz "Baldin", ES
O Espírito Santo tem a fama de ser um
estado que agrega lado a lado o mar e a montanha. Com uma hora de
estrada é possível sair da parte litorânea e estar a 1.000 metros de
altitude em uma região serrana de rara beleza onde fica localizada a
Pedra Azul.

Sabemos que escalador,
mesmo falando que vai passar o verão em alguma praia, leva o equipamento
de escalada junto consigo, e por algumas vezes até escondido dentro
bagagem e longe da visão de suas ‘companhias’, sempre na esperança de
dar uma fugida para matar a sede de escalada em algum bloco a beira mar.
E se seu destino para o verão for o litoral capixaba, aí você pode
trazer suas tralhas pois com certeza terá ótimas possibilidades de
mesclar momentos de praia com escalada, tudo muito próximo, compreendido
na região que forma a Grande Vitória, composta pelos municípios de Vila
Velha, Cariacica, Viana, Serra, Guarapari, e a capital Vitória.
Points
A região da Grande
Vitória se tornou um grande centro das chamadas escaladas urbanas, por
possuir diversas possibilidades literalmente encravadas dentro da região
metropolitana. O principal setor de escaladas da Grande Vitória é o
Morro do Moreno em Vila Velha, município unido a Vitória pela Terceira
Ponte, de onde já se tem uma bela visão deste complexo montanhoso. Uma
área verde encravada dentro da cidade com fácil acesso, a cinco minutos
de caminhada pra quem está na Praia da Costa. Possui 40 vias no estilo
esportivo com boa proteção em grampos P e paradas duplas. A fama do
Moreno é ter vias com verdadeiros segredinhos, aquela situação de que
muitos crux só se faz “daquele jeito”, com isso a grande maioria são
escaladas técnicas em parede vertical, entre 10 e 15 metros.
Visto ao longe, este
complexo lembra o perfil de uma macaca deitada. Devido à aparência com o
primata, os escaladores locais o dividiram em três setores: Testa, Boca
e Barriga da Macaca. Foi na testa que foram abertas as primeiras vias,
como a Maria Mole, 5º e Sargento, 4º. Em uma falésia
vertical de cor esbranquiçada fica a Boca da Macaca, setor este que
apresenta ótimas opções, como as vias Noventa Graus, 6º a
primeira aberta no setor, Conseqüência de Uma Seqüência 7b,
considerada uma linha com bela movimentação, e três oitavos: Linha
direta, 8a, Hemoglobina, 8a/b e Kataclisma, 8c. O
melhor horário para escalar neste setor é pala manhã, quando está em
sombra. Quando o sol chegar, é momento de dar um pulo em O Coisa,
7b, localizada em uma parede atrás da Boca, e com um belo visual. O
setor da Barriga é o que poderíamos chamar de “ império do 7º grau”. A
maioria das vias são nesta linha de dificuldade, como a clássica As
aparências enganam, 7a - esta via só está encadenada após dominar um
platô acima da parada, movimento este que é o crux. Na altura do crux da
Aparências, uma linha horizontal de cristal corta quase toda a
parede, sendo responsável pelo crux das outras vias também, como a
Nove meses, 7b, Essa fada, 7b e Matrix, 8b/c com 27
metros de extensão. E vale muito a pena entrar na bela linha em móvel
chamada Demolidorá 6º, um diedro de 25 metros com colocações
perfeitas. Na trilha de acesso ao setor da Barriga existem vários blocos
espalhados pela mata com bons boulders como Hereditário, Caramujo
Sonolento e Teto lá de casa.
Seguindo de Vitória
pela BR 101 norte, com 30 minutos chega-se ao município da Serra, que
tem como principais praias Jacaraípe e Manguinhos. É no município que
está a maior formação da Grande Vitória, o Mestre Álvaro com 833 metros
de altitude. O local possui diversas trilhas... e lógico, escalada! O
forte do Mestre Álvaro é o potencial para boulder, principalmente em um
setor descoberto recentemente que já abriga bons problemas: Do c...
(V8), Borda de piscina (V7), Cabecinha (V6) e Agarra em
casca de ovo (V5). Existe uma quantidade enorme de blocos espalhados
pelo pasto, e ao alto em uma encosta está o maior bloco com cerca de 20
metros, com cor alaranjada de fácil localização. Possui três vias
esportivas em parede vertical: Boi Ralado, Vaca Louca e Febre
Aftosa, entre 7a e 7c.
Ao lado oposto do
Mestre Álvaro tomando Vitória como referência e seguindo pela Rodovia do
Contorno até Cariacica, chega-se ao Monte Mochuara, um enorme paredão
com tons entre preto e branco com 724 metros de altitude, sendo uma área
de preservação ambiental. Em um grande bloco na base da montanha, logo
no início da trilha que leva ao cume, estão seis vias. As mais
solicitadas são: Até mamãe faz 6º+, Os Micuins contra atacam,
5º+ e Sovaco da Cobra, 7a. Como o bloco está dentro da mata,
qualquer horário tem sombra.
É no município de
Viana que fica localizado o futuro mais promissor no que diz respeito a
potencialidades de vias da região da Grande Vitória. O local é bem
jovem, descoberto a dois anos, e já se consolidou como uma área de ótima
qualidade de escalada reunindo distintas paredes e com isso foi batizado
de Complexo de Viana. O setor principal é a Falésia do Capeta, com as
dimensões de 25 metros de altura e 200 metros de largura. Uma parede
realmente atraente e linhas verticais de resistência, com muitos
batentes e agarras em um granito de enorme aderência. Todas as vias
estão equipadas com grampos P e paradas duplas, que consomem entre 8 a
13 costuras. A falésia conta com dez vias divididas em três setores. No
primeiro existe a Marolive, 7b/c e mais quatro projetos. O
segundo é o setor principal, tendo a clássica Twist Carpado, 7b,
Priapismo 8a e o projeto Tiru Liru. O terceiro setor possui as
vias mais tranqüilas da falésia, variando entre 5º e 6º, como a Mi
Apendi e Bera di Berma. Um grande ponto a favor do Capeta é a
possibilidade de se escalar no período da tarde, onde a sombra é total.
As margens do riacho que corta este setor estão espalhados vários blocos
que geraram a abertura de 20 boulders até o momento. Em um morro de
frente para a falésia, fica uma a Pedra da Irmandade, que na sua maior
extensão deve ter cerca de 100 metros. Recentemente foi conquistado nela
a via Risadinha, 4º V, uma escalada em móvel de 60 metros sem
nenhuma proteção fixa, sendo possível descer do topo caminhando.
Um setor que vem
ganhando investimento no momento é uma falésia localizada no
estacionamento. Deste local que se deixa o carro, é só subir o pasto que
em 10 minutos já se chega na base da falésia, que conta até o momento
com três vias chapeletadas: Porkildis, 4º, Aprendiz de
Lenhador,8b/c(? ) ,em uma aresta com 25 metros, e outra cotada em
7c. E mais duas vias em móvel: Memória de gaúcho ,6º+ e uma bela
fenda em diagonal de 35 metros, a Morcegos me Mordam, 7b/c(?). Um
pouco mais adiante (3 km), seguindo pela estrada principal fica o Pesque
Pague do Neném, uma outra área que completa o Complexo de Viana, com uma
falésia com sete vias e boulders na base.

E se o assunto até o
momento são escaladas na região da Grande Vitória, a capital do ES entra
no circuito com um point que lhe dá grande prestígio: a escalada
noturna. A Pedra da Ilha do Boi possibilita escalada a noite devido à
iluminação de refletores voltados para a rocha. E como se isso já não
bastasse, é uma área de acesso muito fácil (até em excesso), quase
possibilitando dar segurança de dentro de um carro - a pedra fica na
calçada, a base é gramada, o local é seguro e cercado pelas praias da
Curva da Jurema e Ilha do Boi, as principais de Vitória juntamente com
Camburi. As principais vias são Xixi, 7c com uma saída
boulderística, e Machos, 6º+ técnica em regletes. O local possui
outras vias em top rope e um bloco com o famoso boulder Cirurgia
Moral ,V8 com movimentos de tapa em abaulados, encaixe de calcanhar
e um domínio um tanto complexo... a rocha é bem abrasiva, este é o
detalhe.
Conhecida como Cidade
Saúde pelas propriedades medicinais de suas areias monazíticas,
Guarapari é um dos balneários mais frequentados do litoral capixaba,
principalmente pela Praia do Morro. Em 40 minutos seguindo pela Rodovia
do Sol já é possível estar em Vitória, passando antes por dois points. A
Praia dos Padres em Meaípe abriga alguns blocos a beira mar, com boas
linhas de boulder. Mais a frente antes do pedágio, entrando a esquerda
por uma estrada de terra fica a via Lídio Alvarenga, 4º V D1 E2,
170 metros, localizada na Laje das Pedras, parede que possui também a
Caminho dos Ventos, 5º VIIa A1 D1 E1, 100 metros e que necessita de
equipo móvel.
Saindo de Guarapari
pelo trevo da BR 101, e seguindo a direita no sentido Vitória, com
apenas 10 minutos já se tem ótima escalada tradicional no distrito de
Iguape. A via Diamante de Mendigo, 4º V segue por uma torre de
granito com uma linha de 220 metros, e uma grande passagem horizontal de
50 metros na metade da via. Do cume é possível descer pela encosta
caminhando. Deste mesmo trevo, porém no sentido oposto, seguindo ao sul,
com 25 km chega-se a Alfredo Chaves, município que reúne várias práticas
de esportes de aventura no estado, tendo como forte o vôo livre. Ao
lado da rampa de vôo fica a Cachoeira Alta com 110 metros, onde do lado
esquerdo à queda d’água sobe a via Sombra e Água Fresca, 3º IV+.
Outras áreas dentro do município possibilitam escaladas entre esportivas
e boulders.
Venha conhecer
Usufruindo do verão
capixaba tendo lado a lado o frescor da água do mar com o suor do crux
da via e visitando estes points citados, você terá experimentado cerca
de 5% do potencial das escaladas do Espírito Santo. Diversos e imensos
monolitos rochosos podem ser vistos às margens da BR 101 e BR 262 que
cortam o estado, e muito mais potencial pelo interior... mas isso é uma
outra história, para quando voltar as terras capixabas.
Contatos com a galera
do ES pelo e-mail:
baldin23@yahoo.com.br
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