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100 números
de engajamento "as causas do montanhismo brasileiro
Os editores
Quando conquistas nos trazem novos desafios e responsabilidades.
A edição #1 do MV
trazia um provocante texto de abertura intitulado “ Será que o alpinismo
já atingiu seu cume?” O excepcional texto do inglês Ivan Rowan
questionava a possibilidade do fim do montanhismo, uma vez que as
montanhas mais altas já haviam sido conquistadas, colocava em cheque a
escalada esportiva como forma de montanhismo, expunha a competição até
então quase velada na escalada e nos ginásios, os problemas de gente
demais praticando o esporte e a validade de técnicas como top rope e
pink point no encadenamento de vias. Questões éticas e práticas que
estavam presentes nas rodas de prosa de escalada ao redor do mundo. É um
texto ainda muito atual, uma vez que os temas mudaram mas a essência do
esporte continua a mesma de 18 anos. E é este caráter inquisitivo deste
primeiro texto que ainda permeia essas páginas, fazendo nossa comunidade
pensar a respeito das posturas que adotamos.
Quem pratica esportes de montanha se acostuma a vencer dificuldades - ou
desanima e vai logo praticar outro esporte mais tranqüilo. A verdade é
que o montanhismo e suas vertentes nos ensinam lições para a vida, e
elas nem sempre são doces.
Em setembro de 1990 encaramos o desafio de publicar um informe nacional
de escalada e montanhismo. Assim como numa via de escalada, os lances
chave e dificuldades não foram poucos nesses muitos anos e nunca
deixarão de existir. Falta de verbas, a interminável busca por matérias,
imagens e colunistas, noites perdidas em gráficas, olhos queimando no
computador, questões éticas e polêmicas que por vezes conflitavam com
nossa opinião, tudo isso e muito mais teve que ser superado para este
jornal permanecer vivo e atingir a maioridade.
Mas esta não foi em nenhum momento uma tarefa solitária, aliás, o
montanhismo por essência é um esporte coletivo, então aqui não poderia
ser diferente, e esta centena de edições também são resultado do
trabalho e esforço de muitas pessoas. Compartilhamos esta marca com as
pessoas que se esforçam para manter este canal aberto: os anunciantes,
colaboradores, assinantes, amigos incentivadores e críticos, que
acreditaram e investiram na idéia de que um esporte não evolui nem
cresce sem veículos de comunicação que espalhem conhecimento e expressem
o que pensa sua comunidade.
Dizem que quando trabalhamos o tempo passa rápido. É verdade, temos nos
mantido ocupados e o tempo passou muito rápido. E assim como no número
um do MV, temos novos desafios a serem enfrentados na forma de ajudarmos
nosso esporte a crescer de uma maneira cada vez mais sustentável e
segura. Temos ganas de publicar mais guias de escalada, fazer mais
filmes, editar livros, queremos trabalhar mais em prol de um montanhismo
mais abrangente, uma escalada mais sustentável, queremos ajudar a abrir
novos points e manter os tradicionais sempre abertos para nossa
comunidade. Assim analisando, esta edição nos traz mais
responsabilidades que a número um, quando poucos acreditavam que iríamos
vingar, a exemplo de tantas outras publicações que foram sucumbindo com
o passar dos anos, antes e após o lançamento do Mountain Voices. Num
mundo cada vez mais cibernético, onde a internet nos sugere uma opção
tão mais barata e colorida para expor conteúdos, restaram poucos
veículos dirigidos que acreditaram no poder da palavra impressa e
conseguiram sobreviver em páginas palpáveis, colecionáveis e que por
isso mesmo, são arquivos vivos de um esporte que precisa desta memória
para poder se balizar.
Nessas quase duas décadas, nossa mochila se encheu de histórias e
bagagem para continuarmos a seguir nosso caminho. E durante este tempo
descobrimos que este caminho tem muitas bifurcações maravilhosas e em
qualquer delas felizmente há muito ainda à ser percorrido. Ainda existem
muitas palavras a serem escritas, reescritas, pensadas e sobretudo
inventadas, para moldarmos nossa mente e nossa paixão em forma de
esporte. Esta é uma história longa, uma jornada que não tem fim, assim
como os limites da aventura, que é imensurável. Mas o que importa é que
estamos no caminho certo, por vezes mudando e reorientando a rota para
justificarmos sermos a versão impressa das vozes que ecoam pelas
montanhas.
Nos vemos nas
trilhas.
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