Pico do Bandeira ou
Francês
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por Alberto Ortenblad, SP |
Situada
no Sul de Minas, esta é uma montanha muito cênica, com um cume que se
projeta mais além e acima de uma longa corcova. Abaixo do cume existe
uma grande parede rochosa, que você tanto pode escalar como evitar,
subindo por uma trilha íngreme.
A Localização
Meu interesse pelo Bandeira veio de dois anos antes, quando avistei do
alto da Pedra do Papagaio três pirâmides em perfeito alinhamento. A
maior delas, chamada Pedra do Moquém, foi motivo do meu artigo anterior
no MV # 101. O Bandeira é a formação logo ao sul do Moquém. Ao subir o
Moquém, achei muito interessante o corpo longo e abaulado do Bandeira e
voltei à região para conhecê-lo.
O Pico da Bandeira fica em Carvalhos, uma pequena vila a 50 km de
Caxambu, na região das estações das águas minerais do sul mineiro.
Carvalhos está nas proximidades de dois municípios conhecidos, Aiuruoca
e Visconde de Mauá. Você chegará lá pela rodovia entre Caxambu e Juiz de
Fora, da qual Carvalhos dista 8 km.
Por sinal, a estradinha de terra que liga Carvalhos a Aiuruoca passando
pelo bairro das Posses (existem outras duas ligações) é deslumbrante.
São 18 km através de platôs elevados que permitem vistas espetaculares
das serras e vales da região.
A Vila de Carvalhos
Ao longo da história, Carvalhos teve uma ocupação recente, só tendo sido
colonizada por fazendeiros que vieram de Pouso Alto no fim do século
XIX. Talvez por isso seja tão pequena, com apenas 3 mil habitantes. É
uma típica cidade interiorana, com belos campos de pastoreio espalhados
pelas colinas à sua volta.
Fora as montanhas, as principais atrações de Carvalho são as cachoeiras,
a maior das quais é a da Estiva, com 70 metros de queda ao longo de uma
rocha inclinada, a 15 km de distância no rumo de Bocaina. Existem
outras, como a da Praínha, dos Franceses e do Triste, além da simpática
Represa do Barulho.
No site da Prefeitura, há algumas histórias curiosas, como o fato de que
antigamente se cobrava para tocar o sino nos enterros. Entretanto, no
enterro de sua esposa, um certo Zé Pequeno não pediu sino algum e, ao
receber a conta, disse que não pagaria. Perguntaram “Como fica então?”,
ao que ele respondeu: “Então destoca o sino!”
O Bairro do Francês
O Pico do Bandeira fica no bairro do Moquém, não no do Francês. É
curioso que também o Moquém não fique no bairro de mesmo nome. Existe
uma bela serra no bairro do Francês, que entretanto não se comunica com
o Bandeira, por ser este uma formação isolada, o que até o torna mais
cênico. O nome Bandeira parece ter resultado de uma bandeira que um dia
foi desfraldada do alto da montanha.
Chamo neste artigo o Bandeira também de Francês, pois está ao lado de um
córrego com este nome, e também para não confundi-lo com o Tamanduá
Bandeira, que pertence ao corpo da Serra do Papagaio (ver o MV #92). É
curioso como existem tantas montanhas com este nome – das quais a mais
famosa fica na Serra do Caparaó, na divisa entre Minas e Espírito Santo,
antigamente considerada o ponto culminante do Brasil. Conheço ainda
outra de mesmo nome em Brazópolis, onde fica um observatório
astronômico.
Já o nome Francês tem uma origem antiga, que remonta ao período
colonial. Naquela época, alguns franceses foram expulsos do Rio de
Janeiro pelos portugueses e seguiram pelo Vale do Paraíba, subindo a
seguir no sentido da Mantiqueira. Passaram pela região de Alagoa e
atravessaram a serra, vindo a se instalar nos fundos de Carvalhos, onde
se dedicaram à mineração de ouro.
O Acesso
O acesso até a montanha é um tanto longo, pois a estrada que sai de
Carvalhos contorna um conjunto de colinas à direita, voltando depois na
sua direção. Ao entrar em Carvalhos, escolha a primeira à direita e,
logo a seguir, a esquerda, onde começa a estradinha de terra. Cerca de 2
km depois, você verá a esplêndida pirâmide do Moquém, da qual se
afastará ao tomar à esquerda.
Em seguida, a 4 km do início, você chegará na vila de Vargem Alegre,
onde a estrada bifurca: a vila do Francês à esquerda e a do Moquém, à
direita. No km 8,5 você estará em frente à igrejinha do Moquém, com o
perfil maciço do Bandeira ao fundo. Eu achava que a subida seria
frontal, pela face leste, mas ao me aproximar da montanha percebi que
esta seria uma rota difícil.
Foi um morador da vila chamado Vantuir que me mostrou ser a ascensão
feita pela face norte. Esta se estende no sentido da estradinha que vai
a Aiuruoca, cuja bifurcação ocorre à direita menos de 1 km depois da
vila do Moquém. Siga então exatos 3 km e note uma picada à sua esquerda,
ao lado de um relvado onde poderá deixar o carro. Terão sido um pouco
além de 12 km desde Carvalhos.
A Trilha
Embora curta, esta não é uma trilha fácil. Porém, sua orientação é
bastante simples: você terá de atravessar os pastos à sua frente, subir
a parede da pedra e prosseguir à esquerda até o seu cume. São portanto
apenas três direções.
Subir pelos pastos é um tanto cansativo, pela ausência de uma trilha
nítida, pela existência de áreas de mato e samambaia que você deve
evitar, pelo obstáculo das cinco ou seis cercas de arame e pela rampa
sempre ascendente e cada vez mais íngreme. Não existe um local definido
por onde subir a montanha: se você for um escalador, pode escolher à
esquerda com mais parede e mais rocha ou, caso contrário, abordá-la mais
à direita, com uma altura menor e maior presença de gramíneas.
É uma parede grande, suponho que com mais de 300 metros. Não soube de
relato algum sobre escalada, de forma que sua rocha parece ainda
aguardar o primeiro conquistador. Ao passar por ela, note que existe uma
caverna a meia altura. Segundo me disseram, ela não é pequena, possui
uma câmara inicial que se conecta a uma passagem interior.
De qualquer forma, esta parede irá requerer algum esforço, pela rampa
forte e irregular. Chegando lá em cima, você deve andar pela crista mais
½ km até o cume. A subida deve ter sido de até 400 metros, para 1 ½ a 2
horas de percurso, dependendo da sua facilidade em subir a parede.
Calculo que a caminhada de ida e volta seja de 7 km.
O Cume e a Vista
O topo do Bandeira é recoberto de grama, infelizmente não haverá um piso
rochoso. Você estará a 1.658m de altitude, conforme meu mapa – mas
desconfio que a altitude seja até maior.
A vista compensa o esforço: ao norte você verá as montanhas irmãs do
Moquém e do Calambau (no mapa, Mato Grosso) e, mais além, a vila de
Carvalhos. A Mitra do Bispo estará logo ao sul e, a seguir, a Serra da
Aparecida e o Morro Verde. Bem longe no horizonte, a Pedra Selada de
Mauá com seu inconfundível perfil com dois bicos. O magnífico Papagaio
aparecerá logo à sua frente à esquerda.
Por fim, você verá ainda a vila do Moquém, com suas casinhas esparsas e
pitorescas à volta da sua igreja, esperando por sua volta.
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