V13

por André Berezoski, SP

Dia: 10 de maio de 2008, quarta-feira
Hora: 10 da manhã
Local: Praia da Fortaleza, Ubatuba/SP
Temperatura: Levemente nublado com brisa fresca
Estes foram os dados que contribuíram para a cadena do boulder Os bacanas SDS, aliado a uma motivação e a certeza de que era o dia perfeito para tal realização.
Sair às 4 da manhã para um bate-volta em Ubatuba, só poderia ser feito se depois de um ano de tentativas não houvesse a certeza de que estava chegando a hora da cadena de um dos boulders mais difíceis do Brasil.
O grau ainda merece ser debatido por escaladores em suas próximas repetições, mas de acordo com opiniões de escaladores renomados, pode sim se tratar de um V13.
Uma linha dura que começa em um teto de agarras pequenas, com muita tensão corporal o tempo todo, movimentos longos e agarras que a cada tentativa vão destruindo a pele, onde nem esparadrapo, superbonder e própolis resistem a abrasão da rocha, fatores que limitam várias tentativas, pois mesmo com o braço inteiro, a cada tentativa a dor na ponta dos dedos era tanta que desistir se tornou rotina. Mas aproveitando uma janela de tempo com temperaturas mais baixas e a motivação de outros escaladores, estava encadenado um dos boulders de referência nacional e que coloca o Brasil mais próximo do nível top mundial. Isso é o início...

André no "Os bacanas SDS", V13

São Bento do Sapucaí

Quem houve o nome desta cidade, logo a associa ao Complexo da Pedra do Baú e região, que hoje recebe cada vez mais a comunidade nacional de escaladores.
Em meio à tranqüilidade de São Bento, a 8 anos atrás, mais especificamente na base da falésia Vista Aérea, surgiu um movimento além do balançar de mosquetões e cordas. Reparando na quantidade de boulders do local e seu potencial, colchões na base dos blocos se tornaram presentes e assim estava aberta uma nova área de boulders que, em pouco tempo, se alastrou por toda a região.
Uma nova possibilidade de escalada fomentou-se entre escaladores locais e aliado ao conhecimento de points com blocos espalhados pos vários cantos, São Bento se tornou referência para esta modalidade que contagia rapidamente os escaladores no mundo todo e pode abrigar por vários anos encontros como o BloX, evento que sempre trouxe escaladores de todo o Brasil, além de eventos indoor realizados pela FEMESP, pois logo após o campeonato, todos querem conhecer um pouco mais dos boulders da região, principalmente quem vem de fora do Estado de São Paulo.
Em 2008, com a necessidade de evolução e fascinação pela modalidade, foram encontradas linhas que antes passavam despercebidas por se tratar de um nível não imaginado na época. Hoje suas bases estão limpas e recebem seus primeiros movimentos, que podem se tornar os problemas mais duros do país, pelo que tenho visto.
Além de projetos de boulders abertos em áreas já conhecidas como é o caso do Fanfarrão, no Serrano, o setor “Aranha 1” e “Aranha 2” estão revolucionando a comunidade “bloquera” nacional, sendo descobertos novos blocos incríveis e aberto vários linhas em pouco tempo; e devido à inclinação de 45º da maioria deles, São Bento conta com um dos points revolucionários para o desenvolvimento da modalidade no Brasil.
Graças a escaladores que hoje vivem em São Bento e se preocupam com a evolução geral, estes têm deixado de escalar para descobrir, limpar e abrir novas linhas onde já surgem os primeiros resultados e muitos problemas a serem resolvidos.

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