Acesso às montanhas de MG

Luis Monteiro, Presidente da AMELuis Monteiro, MG

Introdução

Atualmente, o fechamento de áreas de escalada vem se tornando assunto freqüente nas listas de discussões mais populares de montanhismo e escalada no Brasil. Mensagens são postadas divulgando informações de áreas que estão sob ameaça de serem fechadas, áreas que foram fechadas recentemente e áreas que já se tornaram “tradicionalmente” fechadas. Muitas perguntas são repetidas tais como: Por que foi fechada a área? A área é particular ou pública? Quando será reaberta?  Por quanto tempo ficará fechada? Quem é o culpado? Como andam os trabalhos da Associação? Posso escalar na área!!!??? A ansiedade em se querer resolver o problema logo e poder escalar novamente na área fechada o quanto antes muitas vezes leva alguns  escaladores a irem contra as sugestões de entidades envolvidas no processo de reabertura pela  impaciência com a burocracia e o desenrolar da situação, que às vezes pode se arrastar durante anos. Fatos como esses se tornaram comuns aqui em Minas Gerais onde áreas já tradicionais e reconhecidas nacionalmente estão fechadas há quase 6 anos! Entretanto, apesar dessas áreas estarem fechadas a anos e da impaciência de alguns escaladores muito se tem feito pela reabertura de áreas, organização e regulamentação do montanhismo e escalada pelas associações e clubes do Estado.  Seguem abaixo, de forma resumida, dois trabalhos distintos, porém focados na organização e regulamentação que vêm sendo desenvolvido pela Associação Mineira de Escalada (AME) em duas áreas próximas à região metropolitana de Belo Horizonte.

 

O Maciço da Lapinha

As belezas naturais encontradas no Maciço da Lapinha, localizado em Lagoa Santa/MG a apenas 50 Km de Belo Horizonte fascinam o homem desde a sua antiguidade e é lá que foram encontrados os registros mais antigos da presença humana no continente americano. Nos anos 70 um esqueleto de 11,5 mil anos foi descoberto na região, o crânio de “Luzia”, alterando as teorias sobre a ocupação do continente. Entretanto, o reconhecimento internacional do local data bem antes de 1970 quando no século XIX o paleontólogo/botânico/zoólogo/arqueólogo dinamarquês Peter Wilhelm Lund se estabelece na região iniciando seus estudos, os quais inauguraram as pesquisas arqueológicas no Brasil e atraíram cientistas de diversas outras formações e colocaram Lagoa Santa entre as mais importantes áreas para a pesquisa científica. Cabe salientar que Lund já se preocupava e alertava a todos sobre a importância da preservação do meio ambiente, especialmente das grutas e da vegetação que, àquele tempo, já eram destruídas e depredadas para exploração econômica, como a retirada de salitre. Em carta ao rei Cristiano da Dinamarca, ele externou seu desejo e preocupação, concluindo com muita sabedoria, que tudo seria muito diferente se a luz benéfica da ciência guiasse os trabalhos da indústria. 

Os anos passaram e novos admiradores e protetores da região surgiram ao lado dos já tradicionais arqueólogos, espeleólogos, biólogos e ambientalistas. Os montanhistas e escaladores começaram a atuar na área, mais precisamente no maciço da Lapinha no início dos anos 90. Diante das belas formações rochosas, beleza cênica e qualidade da pedra e o fato da área estar próxima a capital mineira, o local tornou-se palco da abertura de diversas travessias e centenas de vias de escalada em estilo tradicional e principalmente estilo esportivo de vários graus de dificuldade, tornando-se um pólo de escalada nacional, recebendo até mesmo montanhistas e escaladores de outros países tais como: Argentina, Chile, EUA, Alemanha, Espanha e Portugal.

O início do crescimento do esporte bem como do turismo na década de 90 já vinha sendo notado pelos montanhistas e escaladores e assim ações de conscientização e educação ambiental, além de práticas de mínimo impacto, já vinham sendo promovidas e divulgadas por Clubes como o extinto Clube de Montanhismo e Escalada (CUME) e Grupos como o NAE (Núcleo de Atividades Espeleológicas) e Bambuí na entrada da Gruta da Lapinha. Em outubro de 1998 foi realizada uma grande limpeza do maciço coordenada pelo CUME e apoiada por lojas especializadas, quando 80 escaladores participaram da operação. Nessa ocasião foram retirados do maciço: plásticos, latas, vidros, papéis, pedaços de madeira, fezes, cigarros e até mesmo uma privada quebrada! Tal fato tomou tamanha proporção que um artigo intitulado “Escaladores limpam a Lapinha” foi publicado no jornal da cidade - “Jornal da Lagoa”, edição Out/98. Os trabalhos de preservação ambiental desenvolvidos tiveram o reconhecimento e apoio da comunidade local, de turistas e até mesmo da prefeitura de Lagoa Santa que durante a limpeza cedeu um caminhão para transportar os 100 sacos de lixo, de 60 litros cada um, retirados da Lapinha! Iniciativas como essas foram repetidas ao longo dos anos e intensificadas principalmente com a fundação da AME em 2001 a qual no mesmo ano promoveu, em parceria com a secretaria de turismo de Lagoa Santa, o Iº Festival da Associação Mineira de Escalada realizado no Espaço Cultural Doutor Lund - Gruta de Lapinha com o tema: “Promovendo o esporte em favor da natureza”. Os participantes, 80 envolvidos diretamente e 200 entre turistas e escaladores, puderam  interagir, refletir e assimilar o verdadeiro sentido da necessidade de preservação de ambientes naturais.

Tamanho foi o sucesso do Iº Festival que em maio de 2002 a AME promoveu o seu 2º Festival e o Iº Encontro de Entidades de Montanhismo de Minas Gerais no mesmo local do ano anterior e com o apoio da Secretaria de Turismo de Lagoa Santa e a revista mineira de escalada e montanhismo, extinta em 2004, Universo Vertical. O tema do evento foi “Venha dizer OI para a Escalada Mineira” e suas principais metas e objetivos foram:

+ Despertar a consciência ecológica e o respeito à natureza;

+ Organizar e orientar o crescimento do esporte a nível estadual;

+ Aumentar o número e o nível técnico dos praticantes de escalada;

+ Dar continuidade à proposta de preservação ambiental, segurança e interação entre os escaladores e a comunidade local;

+ Estimular a responsabilidade social e ambiental dos usuários de áreas naturais;

+ Proporcionar uma maior integração entre as entidades de montanhismo de Minas Gerais;

+ Disponibilizar informações à toda sociedade sobre a prática da escalada.

Cabe salientar que no evento houve o envolvimento das seguintes entidades: Conselho Municipal de Turismo de Lagoa Santa (COMTUR), Secretaria Estadual de Turismo, IBAMA/CECAV, Clubes e Associações de Montanhismo de Minas Gerais e o NAE.

A regulamentação e organização do montanhismo na região pareciam estar no rumo certo e assim um maior controle do turismo desenfreado e predatório na Lapinha e conseqüentemente sua preservação de forma sustentável parecia questão de tempo. Entretanto, em 10 de Junho de 2002 a prefeitura de Lagoa Santa determinou arbitrariamente o fechamento por tempo indeterminado, a partir de 1º de Julho de 2002, a prática de qualquer modalidade de escalada e rapel nas áreas da Gruta da Lapinha e Arruda por meio do decreto municipal N.º 307/2002-06-14. As justificativas da prefeitura para o fechamento da área, conforme decreto, foram a falta de plano de manejo, avaliação do impacto ambiental decorrente das atividades de escalada e rapel e da necessidade de uma normatização para essas atividades, além da preservação da fauna, flora e monumentos arqueológicos e pré-históricos no local.

O decreto 307, como ficou conhecido, caiu como um balde de água fria sobre nossas cabeças e tudo que havíamos construído e planejado parecia que tinha ido pelo ralo e o sentimento naquela época era realmente de decepção com a aquela administração municipal. Como uma entidade que nos apoiava em nossos eventos, que conhecia nossas intenções e eram nossos parceiros na preservação da Lapinha tinha estabelecido um decreto tão severo sem ao menos nos consultar, advertir ou simplesmente informar com antecedência de sua intenção? Como? Sabemos, como já foi exposto, que o fluxo de escaladores teve um crescimento no Brasil e na área em questão, mas o descontrole da situação jamais foi por parte dos montanhistas, sempre conscientes em seus atos, mas sim por uma completa desorganização daquela administração em controlar o turismo predatório e por fim, de forma cômoda e injusta, o decreto foi assinado pelo prefeito de Lagoa Santa. Cabe salientar que mesmo com o fechamento da Lapinha os principais impactos nos locais tais como: grupos imensos de turistas em ônibus cheios, lixo, barulho intenso e pichações na rocha não deixaram de ocorrer.

Logo após o fechamento, a AME intensificou suas ações na área e várias foram às reuniões com a prefeitura para que a Lapinha fosse reaberta novamente. Artigos em jornais populares e revistas especializadas também foram publicados de forma a sustentar ainda mais a causa de reabertura. Entretanto, o que sempre nos questionavam era a necessidade de se realizar um plano de manejo, ou seja, do ponto de vista prático e econômico era mais fácil deixar fechado o local e “repassar” as responsabilidades do plano de manejo para os interessados em utilizar área.

Em 2004 entendendo o recado, a AME propôs a prefeitura de Lagoa Santa a formação de uma equipe para elaboração do plano de manejo para área vertical do Maciço, que por surpresa foi apoiada pela prefeitura e a mesma pediu ainda que a AME fizesse a gestão da localidade. Mesmo sabendo que o plano de manejo era obrigação da prefeitura e que a mesma estava repassando toda a responsabilidade legal da área bem como seus riscos tais como: acidentes, pichações e impactos ambientais, a AME resolveu seguir em frente. Entretanto, o caso foi parar na promotoria pública, pois a prefeitura não cumpria o que tinha nos prometido. Após longas conversas com a promotora o impasse foi resolvido e a AME foi liberada para atuar na Lapinha. Porém mais um contra-tempo foi ocasionado nesse período perante a cassação do mandato do prefeito de Lagoa Santa envolvido em escândalo de compra de votos nas últimas eleições do município sendo assim, mais uma vez o início dos trabalhos da associação foi adiado.

Em 2006, após reestruturação da prefeitura e de sua secretária de turismo, novas reuniões foram realizadas e finalmente a AME pode iniciar os trabalhos técnicos estabelecidos pelo plano de manejo da área vertical 2 . Quando cerca de 80% do trabalho já havia sido concluído, um período de 1 mês seria dado para avaliação da eficiência do plano de manejo proposto, ou seja,  a área seria liberada para escalada durante esse período. Porém, um novo impasse, desta vez positivo, interrompeu novamente os esforços de liberação da área. A novidade foi a implantação do Parque Estadual do Sumidouro gerido pelo Instituto Estadual de Florestas do Estado de Minas Gerais (IEF/MG) que ganhou impulso em 2006 com a destinação de recursos provenientes da compensação ambiental decorrentes do processo de licenciamento da linha verde, rodovia que liga Belo Horizonte ao aeroporto internacional Tancredo Neves, em Confins.

Na verdade, o Parque Estadual do Sumidouro já havia sido criado em 3 de janeiro de 1980 pelo decreto 20.375, com o objetivo de preservar o patrimônio cultural, natural, arqueológico e paleontológico existente na região de Confins / município de abrangência Lagoa Santa – MG (IEF/MG), porém por falta de recursos financeiros e humanos nunca tinha saído do papel.

 

O Período Atual

Com a implementação do Parque Estadual do Sumidouro, com área total de 1,3 mil hectares, a AME foi convidada a participar de seu Conselho Consultivo. Portanto, em 15 de Setembro de 2007, tomou posse o Iº Conselho Consultivo, com atuação no biênio 2007-2009. Tomaram posse 36 conselheiros representantes de associações (comunitárias e comercial), de Ong´s ambientalistas, de municípios que circundam o parque além de representantes de universidades e  corpo de bombeiros e policia militar. Tal fato representa um importante passo na gestão participativa da área, uma das mais importantes de Minas Gerais sob os aspectos ambiental e histórico. A AME, como um dos membros do atual conselho, está trabalhando em prol da regulamentação do Montanhismo e Escalada no atual plano de manejo que está sendo desenvolvido na  Unidade de Conservação (UC). Cabe salientar que todos os trabalhos estão de acordo com as diretrizes estabelecidas pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) e recomendações de mínimo impacto da Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada (CBME). Portanto, com esforços que vem sendo realizados, acreditamos, que em breve, a comunidade montanhista e escaladora brasileira poderá utilizar novamente, de forma sustentável, o imponente e belo maciço de calcáreo da Lapinha para a prática do montanhismo e escalada.

 

Ações da AME na Serra do Cipó

O belo maciço de rochas calcárias encontrado as margens da rodovia MG-010 distantes a apenas 100 Km de Belo Horizonte teve seu potencial vertical aproveitado por escaladores pela primeira vez em 1986, quando André Ilha (RJ) e André Jack (MG) conquistaram a primeira via de escalada no local. A partir daí uma nova era para o montanhismo e escalada brasileira e um importante fato histórico para a preservação ambiental da formação rochosa localizada na região de Cardeal Mota, distrito de Santana do Riacho (MG), ou melhor, dizendo Serra do Cipó, se iniciava. 

A qualidade da rocha encontrada, sua beleza cênica e natureza praticamente intocada fizeram com que o maciço do Morro da Pedreira, constituído pelos seus quatro grupos, logo se destacassem no cenário nacional e posteriormente internacional tornando-se assim, o Maciço da Lapinha, um pólo de escalada e montanhismo. Na década de 80 centenas de vias tradicionais, móveis, foram abertas transformando o local em um dos maiores centros de escalada nesse estilo do país.  Entretanto, naquela época o maciço não possuía uma legislação que impedisse a exploração mineral desordenada dos afloramentos rochosos por mineradoras gananciosas estabelecidas na região. Diante de tal fato, a comunidade montanhista e escaladora brasileira se mobilizou em prol da proteção e preservação do Morro da Pedreira e em 1989 surgiu o Movimento Pró-Morro da Pedreira idealizado e encabeçado por André Ilha (RJ), Lúcia Duarte (MG), André Jack (MG) e Maurício Cravo (MG). O movimento teve um raio de atuação imenso, sendo divulgado em artigos e matérias de jornais e revistas nacionais e internacionais bem como nas principais redes de televisão do país. Aderiram à causa até mesmo políticos de “peso” como Fernando Gabeira, que participou junto com mais de 300 pessoas entre escaladores, montanhistas, comunidade local, ambientalistas e outros do famoso Abraço ao Morro da Pedreira. O abraço tornou-se ícone da preservação do local, fim da depredação ocasionada pelas mineradoras e finalmente a tão sonhada criação da Área de Proteção Ambiental (APA) do Morro da Pedreira, que funciona como uma zona de amortecimento para o Parque Nacional da Serra do Cipó, ambos atualmente administrados pelo IBAMA/ICMBio. 

Nos anos 90 e até os dias de hoje, a escalada esportiva teve o seu desenvolvimento crescente no local. Vias míticas como Lamúrias de um Viciado, Sinos de Aldebaram, Heróis da Resistência entre outras foram conquistadas atraindo um crescente número de escaladores, ano a ano, de diversos estados do Brasil além de escaladores de outros países a fim de desafiarem os negativos imponentes proporcionados pelo Cipó.

Como já é de conhecimento da comunidade escaladora, a AME vem atuando com grande responsabilidade e comprometimento na região da Serra do Cipó desde 2004. Em 2006, foi assinado o importante termo de parceria com o Parque Nacional da Serra do Cipó (PNSC) e criado o grupo de trabalho GT-CIPÓ3  que intensificou suas atividades na região referida. Trabalhos como o levantamento do potencial vertical do Parque Nacional da Serra do Cipó (PNSC), que foi apresentado aos conselhos consultivos do PNSC (CONCIPÓ) e APA Morro da Pedreira (o qual a AME faz parte), em Setembro de 2006, de que participaram diversos profissionais (biólogos, geólogos, geógrafos, engenheiros entre outras especialidades), todos praticantes de escalada e montanhismo de reconhecida experiência solidificaram ainda mais as parcerias com as instituições locais, ou seja, Parque Nacional da Serra do Cipó (IBAMA) e a Associação de Condutores Ambientais e Montanhistas do Circuito Serra do Cipó (ACAM-CSC), como também deu maior credibilidade à AME e conseqüentemente à comunidade escaladora perante aos conselhos consultivos do parque e APA, e maior visibilidade para nossas atividades, o que é fundamental para exigir presença nas decisões que são tomadas.

Nesse primeiro trabalho sugeriu-se, a priori, não praticar escaladas no interior das áreas verticais inseridas no parque de modo a se poder focar os esforços na organização das atividades nos Grupos I, II, III e IV, ou seja, maciço Morro da Pedreira. Sendo assim, o GT-CIPÓ iniciou suas atividades no Morro da Pedreira em meados de setembro 2006 focalizando, principalmente, o Grupo III, por ser área de referência nacional e internacional para a prática do montanhismo e dos vários estilos de escalada, onde o fluxo de escaladores vem aumentando consideravelmente ano a ano, e onde já surgem desconfortos. O encaminhamento sugerido pelo GT foi de organização, inicialmente, do Grupo 3  e assim foi necessária a criação de quatro sub-GT´s (infra estrutura, pesquisa, ética e regrampeação/conquistas), coordenados por pessoas responsáveis, experientes e acima de tudo imparciais para que os trabalhos fossem realizados de forma dinâmica e eficaz.

Entre os dias 28 de abril e 1º de maio de 2007, um público de aproximadamente 150 pessoas de diversos estados (MG, RJ, SP, PR, DF entre outros) puderam interagir, discutir e assistir palestras e vídeos com diferentes personalidades do cenário brasileiro de escalada e montanhismo, no Iº Encontro de Escaladores e Montanhistas na Serra do Cipó, organizado pela AME/ACAM/IBAMA, quando os resultados iniciais dos trabalhos de cada sub-gt foram então apresentados ao público. Seguem abaixo as sugestões e resultados iniciais oriundos de cada sub GT.

Organização e Infra-Estrutura: Organização do Iº Encontro de Escaladores e Montanhistas na Serra do Cipó, Ações no G3 e PNSC (Questionário para avaliação do perfil do escalador, Plantio de Mudas, Combate ao capim-braquiária e combate a incêndios). Parcerias com restaurantes; formulação, desenvolvimento e execução de placas informativas no G3 e etc.

Pesquisa: Avaliações em campo e proposição / captação de recursos para estudos da vegetação, aves e solos do maciço e procura de áreas novas de escalada na região.

Ética: Estudo, pesquisa e discussão acerca de códigos de ética empregados e consolidados em áreas escaladas no país, e acerca de sua aplicabilidade na Serra do Cipó4 

Regrampeação/Projetos/Conquistas/Equipagem:  Relatório Plano de Manejo G3, regrampeação de vias e duplicação de “top´s” totalizando até o momento 20 vias no G3/G1. Liberação consensuada de novas áreas para equipagens de vias esportivas seguindo o padrão ético proposto e espaçamento entre vias de no mínimo 5 metros; foram abertos locais como o Vale de Blair/G1 (que rapidamente atingiu o limite de vias sugerido para equipagem) e o Setor Foda/G2. Além disso, foi sugerido, a priori, a não abertura de vias esportivas no G3 (com exceção de áreas já definidas pelo GT). Nos Vales Zen (G2/G3), do Papagaio (G1), Perseguida (G3). Para o restante do G1, do G2 e em todo o G4 foi feita a sugestão para que essas áreas sejam utilizadas de forma cuidadosa, ou seja, apenas para escaladas e conquistas em estilo tradicional cipoense (móvel) de modo que sejam preservados com um mínimo de impacto antrópico, e sem necessidade de ficar controlando diretamente a quantidade de pessoas nos locais. 

Acreditamos então, que todo o esforço que está sendo realizado para organização das áreas de escalada no maciço do Morro da Pedreira, que passa por uma maior interação e participação não somente da comunidade escaladora e montanhistas, como também dos moradores e guias locais, empresários, Ong´s e órgãos públicos, enfim, todos aqueles comprometidos com a preservação e utilização sustentável dos recursos naturais que a Serra do Cipó nos oferece, possa garantir, para as gerações futuras, o direito de usufruir de uma área natural com o mínimo de alterações possíveis, e tão admirada por todos nós.

Finalmente cabe frisar que ações como as que estão sendo desenvolvidas pela AME, ou seja, de organização e regulamentação do montanhismo e preservação ambiental das áreas de escalada, sempre fizeram parte do cotidiano da comunidade montanhista e escaladora seja a nível nacional através dos seus clubes, associações, federações e confederação seja a nível internacional.  O montanhista e escalador em conjunto com as entidades que o representam são um forte aliado na defesa e proteção do meio ambiente, sendo que diversas áreas hoje são Parques Nacionais, Estaduais e Municipais ou Áreas de Proteção Ambiental graças aos esforços dessas entidades que vêm lutando ano a ano pela organização, regulamentação e principalmente pela preservação ambiental e acesso livre e responsável às áreas montanhosas do Brasil.

Para completar, a AME vem atuando também na reabertura e preservação das áreas do Maciço do Baú em Pedro Leopoldo/MG, Parque Natural do Caraça em Catas Altas/MG, Pico do Baiano no Morro da Água Quente, Pedra Branca em Caeté/MG, Tabuleiro e Salão de Pedras em Conceição do Mato Dentro/MG, Pedra Rachada em Sabará e outras áreas localizadas na zona metropolitana de Belo Horizonte.

 

Agradecimentos: A todos os envolvidos que nos apoiam nos trabalhos realizados em especial: PNSC/IBAMA, IEF/MG, CBME, Mountain Voices, ACAM, André Ilha, Kátia Torres, João Madeira, Maurício Cravo, Eliseu Frechou, Eduardo Azevedo (Ralf), Fernanda, Luiz Flávio Cirino, André Coutinho Barbosa (Andrezão), Marcelo Aguiar, Edgardo Abreu (Caca), Leandro Reis, Pedro Leite, Thiago Bastos (Fox), Eustáquio Melo, Daniel Mariano e a todos que acreditam em nosso trabalho e em um futuro sustentável para as montanhas e suas comunidades.

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